IA não gera vantagem competitiva sem organização e governança de dados
Empresas avançam na adoção, mas dados desorganizados e processos desconectados podem criar uma nova distância entre o resultado das organizações.

A inteligência artificial, antes uma tecnologia restrita aos departamentos de inovação, passou a ocupar espaço em diferentes áreas das empresas, da análise de informações à automação de tarefas e apoio à tomada de decisões. No entanto, à medida que a adoção da IA avança, uma nova desigualdade começa a se desenhar no ambiente corporativo: a distância entre empresas que conseguem estruturar seus dados e processos para aproveitar a tecnologia e aquelas que ainda operam com informações fragmentadas.
De acordo com Vinicius Chaves, Diretor de Marketing da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial, ter acesso às mesmas ferramentas de IA não significa, necessariamente, obter os mesmos resultados.
Para que a tecnologia produza respostas relevantes, Vinicius aponta que “é preciso que ela esteja conectada a informações confiáveis, atualizadas e organizadas. Empresas que mantêm dados espalhados em diferentes canais, seja sistemas ou planilhas, podem até implementar soluções de inteligência artificial, mas encontram dificuldades para transformar esses recursos em ganhos efetivos de produtividade e eficiência nos negócios”.
É justamente nesse cenário que o diferencial competitivo das organizações tende a migrar da simples capacidade de adotar a IA para a capacidade de preparar a estrutura necessária para utilizá-la. Segundo Vinicius, organizações com processos integrados conseguem reunir informações de diferentes áreas e identificar padrões para transformar dados em decisões com maior agilidade. Já aquelas que ainda dependem de processos manuais e sistemas que não conversam entre si podem enfrentar uma espécie de paradoxo, onde quanto mais tecnologia incorporam, maior pode ser a complexidade para organizar as informações que alimentam essas ferramentas.
“O fato é que a discussão sobre inteligência artificial precisa avançar para além da escolha das ferramentas. A IA pode acelerar processos e apoiar decisões, mas ela não corrige sozinha uma estrutura de dados desorganizados. Se as informações estão desatualizadas ou não se comunicam, a empresa terá dificuldade para extrair todo o potencial da tecnologia. O verdadeiro diferencial começa antes da ferramenta, na capacidade de organizar processos e construir uma base confiável de informações”, complementa Chaves.
Outro desafio, de acordo com o porta-voz da Areco, está na qualidade das informações. Sistemas de inteligência artificial dependem dos dados aos quais têm acesso para gerar análises e recomendações. Dados duplicados, incompletos ou inconsistentes podem comprometer a qualidade dos resultados, fazendo com que uma boa ferramenta seja utilizada sobre uma base pouco confiável.
“Estamos entrando em uma fase em que não será suficiente perguntar quais empresas utilizam inteligência artificial, mas quais conseguem transformar essa tecnologia em decisões melhores. A tecnologia, sozinha, não elimina a diferença entre as empresas; a forma como cada uma organiza e utiliza suas informações é que pode ampliar essa distância”, conclui o porta-voz.
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