Empresas aceleram investimentos em IA, mas esbarram em dados desorganizados
A corrida pela adoção da inteligência artificial (IA) está ganhando cada vez mais velocidade nas empresas brasileiras e globais.

Dados desorganizados
Enquanto executivos ampliam investimentos na tecnologia e buscam novas formas de aumentar produtividade e competitividade, um obstáculo antigo continua limitando os resultados: a desorganização dos dados corporativos.
Um estudo global do IBM (Institute for Business Value) aponta que 67% dos CEOs brasileiros estão adotando ativamente agentes de IA em suas organizações e estão preparados para implementá-los em escala, superando a média global de 61%. Além disso, 59% dos executivos brasileiros disseram que estão preparando os funcionários para as mudanças culturais e operacionais que os agentes de IA estão trazendo para o ambiente de negócios.
O cenário evidencia um desafio que muitas organizações enfrentam silenciosamente, que, antes de implementar IA, é preciso garantir que as informações estejam organizadas e acessíveis, sobretudo confiáveis.
“A inteligência artificial trouxe para o centro da discussão um problema que já existia há anos, e levamos muito à sério. Análises, previsões e decisões, convivendo com dados espalhados em planilhas ou sistemas isolados e processos pouco padronizados. A IA potencializa o valor da informação, mas também expõe suas fragilidades”, afirma Alvaro Chaves, CEO da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial.
Além da qualidade dos dados, a integração entre sistemas também aparece como um dos principais gargalos. Segundo a IBM, 68% dos CEOs consideram uma arquitetura de dados integrada essencial para a colaboração entre áreas e para o sucesso das iniciativas de inteligência artificial.
Para o CEO da Areco, o desafio não está em armazenar informações, mas também em transformá-las em ativos confiáveis para o negócio. Segundo ele, dados duplicados, inconsistentes ou distribuídos em diferentes plataformas dificultam análises e comprometem indicadores, reduzindo a capacidade das ferramentas de IA de gerar insights precisos.
Governança da informação ganha protagonismo
Soluções de gestão empresarial capazes de centralizar documentos, processos, indicadores e registros operacionais tornam-se fundamentais para criar uma base sólida para projetos de inteligência artificial, principalmente com o apoio de organizações especializadas.
Com dados estruturados e rastreáveis, as organizações ganham mais capacidade de analisar cenários, automatizar processos e preparar o terreno para aplicações avançadas de IA.
“Existe uma percepção de que a inteligência artificial resolve problemas de dados. Na prática, acontece o contrário: ela exige ainda mais qualidade, organização, governança e soberania da informação. Empresas que estruturam seus processos e consolidam seus dados conseguem capturar valor mais rapidamente e com muito mais segurança”, explica Alvaro.
O próprio mercado já reconhece essa necessidade. Prevê-se que os gastos globais com IA ultrapassem US$ 2 trilhões em 2026, representando um crescimento anual de 37%, de acordo com a Gartner.
“À medida que a inteligência artificial passa a integrar a rotina dos negócios, a capacidade de organizar e governar informações tende a se tornar um diferencial muito mais competitivo. As empresas precisam garantir que seus dados contem a história correta”, finaliza Alvaro Chaves.
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