Fiolux sustenta dez anos de crescimento verticalizado
Para o diretor de tecnologia de uma indústria verticalizada, o VSat ERP não é um sistema entre outros. É o ambiente em que a sua operação ocorre.
É exatamente esse o terreno em que a Fiolux opera. A indústria brasileira de conexões elétricas, com 33 anos de mercado e sede em Valinhos (SP), fabrica transformadores, filtros de linha, extensões, tomadas e barras, e atende dois canais distintos simultaneamente: B2B com revendedores em todo o Brasil, e D2C, através de vendas diretas via marketplaces. Mais de 1.000 vendas por dia no digital, 120 a 130 representantes em rua, 160 colaboradores internos.
“O ERP dita muito do nosso processo. Se eu não tenho ERP, o processo fica todo desorganizado. A gente só consegue dar esse volume porque tem uma integração com o Mercado Livre, em que a nota entra sozinha.”
Em 2017, a Fiolux iniciou a parceria com a Areco para reorganizar essa base. Hoje, são dez anos de operação com o VSat ERP, com destaque para o e-Pier (plataforma low-code), integração com marketplaces via HUBe e operação comercial com o MobSales.
Verticalização como estratégia de margem
Antes de entrar na arquitetura, vale entender o modelo de negócio.
“A gente compra e industrializa tudo aqui dentro. Por grande período fomos só uma montadora, comprava peças e montava. Entendemos que o nosso espaço na cadeia é muito mais de indústria do que de distribuidora”
Essa verticalização tem uma lógica clara: centralizar margem, controlar eficiência. E com isso, soma-se mais complexidade operacional. Quando uma indústria executa do beneficiamento da matéria-prima ao envio para o consumidor final, ela carrega na operação interna toda a complexidade que normalmente está distribuída entre outros stackeholders.
A operação omnichannel (entre 40% e 50% do faturamento da Fiolux vem hoje do digital) faz com que o desafio de gestão seja ainda mais evidente. Modelos comerciais distintos, mas uma única operação para sustentar todos eles. Por isso, é mandatório operar através de uma arquitetura que automatize processos.
Por que o ERP é infraestrutura crítica em indústria verticalizada
Para diretores de tecnologia acostumados com ambientes de distribuição ou varejo puro, vale destacar uma diferença essencial: em indústria verticalizada, o ERP precisa cobrir simultaneamente áreas que em outros segmentos costumam viver em ambientes separados.
A Fiolux utiliza o ecossistema Areco para tratar seus processos. Desde 1.000 pedidos/dia descendo via HUBe, quanto a operação da fábrica através de um sistema único e integrado.
PCP (planejamento e controle da produção), gestão de materiais (estoques, compras, recebimento), controladoria, gestão comercial, gestão financeira, custos e formação de preço, controle de qualidade, entre tantos outros. Todos os sistemas operando sobre o mesmo núcleo de dados. O produto que sai do chão de fábrica é o mesmo que aparece no marketplace, que precisa do mesmo custo calculado, da mesma rastreabilidade de lote, da mesma nota fiscal.
Quando esses sistemas vivem separados e conectados por integrações frágeis, três sintomas aparecem rapidamente: inconsistência de dados entre áreas, retrabalho operacional e principalmente, perda de auditabilidade. Foi exatamente o quadro que a Fiolux enfrentava antes da Areco.
“O principal desafio antes era um sistema fragmentado, com falhas de integração entre componentes, instabilidade e falta de confiabilidade nos dados — lançamentos sumiam”
A escolha pelo VSat ERP partiu de um critério que costuma ficar em segundo plano em RFPs tradicionais: núcleo único de dados. O VSat é construído como um ERP em que controladoria, materiais, financeiro, comercial, PCP e qualidade compartilham a mesma engenharia de dados, não conectores entre sistemas, mas um núcleo comum. Para uma indústria verticalizada, isso significa que o custo de fabricação, a margem por canal e o saldo de estoque são sempre a mesma fonte da verdade.
Customização sem refém: o papel do low-code
Um dos pontos que historicamente travou flexibilidade em ERP foi a dependência do fornecedor para qualquer customização. Cada relatório novo virava ticket; cada indicador específico do negócio virava projeto.
O e-Pier, plataforma low-code/no-code da Areco, foi desenhada para inverter essa lógica. A equipe interna do cliente acessa a estrutura de dados do VSat e constrói indicadores, relatórios e plugins personalizados sem depender de desenvolvimento externo. Mais de 6.300 telas customizadas pelos próprios clientes já foram desenvolvidas via e-Pier no ecossistema Areco.
O Pier é a forma como a Areco permite que cada cliente construa, customize e automatize rotinas em um único núcleo do VSat.
Para a Fiolux, isso significa que mudanças de processo não dependem de cronograma da fábrica de software.
“A gente tem hoje o desafio de aproveitar 100% do que o sistema oferece. Temos flexibilidade para inovar, adequar a novos processos, acomodar requisitos novos.”
Do ponto de vista de governança, o e-Pier resolve um trade-off clássico: customização versus padronização. O núcleo do ERP permanece padronizado e atualizável; a camada de customização vive fora dele, em uma plataforma que preserva regras e mantém auditabilidade.
Omnichannel: B2B e D2C sob o mesmo ERP
O ponto mais técnico do case da Fiolux é a coexistência de três modelos comerciais sobre uma única base operacional.
“Operacionalmente é uma coisa só. Quando olho para minha operação, a gente produz os mesmos produtos. Quando olho para o comercial, aí são canais totalmente diferentes.”
Para o Vice-presidente, essa separação entre camada operacional unificada e camada comercial diferenciada é arquitetura. Significa que:
- O cadastro de produto é único — qualquer mudança de ficha técnica, custo ou imagem reflete em todos os canais;
- O saldo de estoque é único e em tempo real — não há "estoque do e-commerce" e "estoque do B2B" como entidades separadas, há um estoque com regras de alocação;
- A regra fiscal é centralizada, mas adaptável por canal (CFOP de venda a distribuidor é diferente de venda a consumidor final);
A integração com marketplaces, em uma operação desse porte, não pode ser feita manualmente. É aqui que entra o HUBe, solução da Areco para conectar o ERP aos principais marketplaces do mercado. Cadastro de produtos, sincronização de estoque, registro de pedidos e atualização de preços são automatizados, eliminando o trabalho manual que, no volume da Fiolux, simplesmente inviabilizaria a operação.
“Se eu tivesse que lançar mil notas por dia na mão, não funcionaria”
Para indústrias que estão estruturando agora sua operação D2C, esse desenho oferece um aprendizado claro: a integração marketplace–ERP precisa nascer pensada como parte da arquitetura.
Lições para líderes: construa a base, não cole adaptadores
A jornada de uma década entre Fiolux e Areco oferece princípios práticos para diretores em indústrias com cadeia complexa. Eles são pontos de decisão que costumam separar arquiteturas que escalam de arquiteturas que travam.
1. Núcleo único, não integração. Em indústria verticalizada, integrar é dívida técnica disfarçada. ERP com núcleo único de dados vale muito.
2. Customização sem refém. Toda indústria tem processos próprios que não cabem em template. Camada low-code resolve isso preservando o núcleo.
3. Canais separados no comercial, unificados na operação. B2B, e-commerce/marketplace exigem lógicas comerciais distintas. Mas o estoque é um só, o produto é um só, a nota é uma só.
4. Velocidade é requisito. Em operação com volume diário alto, latência de sistema vira pedido perdido, representante frustrado e dado desatualizado.
5. Arquitetura é decisão de longo prazo. Trocar ERP é caro, demorado e arriscado. A escolha de hoje vai sustentar o crescimento dos próximos dez anos, ou limitá-lo. Avalie o sistema considerando onde a empresa vai estar, não onde está hoje.
A Fiolux entra agora em uma nova fase, com inauguração da planta de Valinhos, meta de 250 colaboradores e expansão de portfólio. Para Matheus, a base tecnológica consolidada é o que viabiliza essa próxima etapa: "Temos segurança para continuar crescendo porque temos uma base sólida de sistema de gestão, com flexibilidade para inovar, acomodar novos requisitos e construir os indicadores que cada nova frente exige."
Com a nova planta operando, a indústria entra em uma etapa focada em ampliar portfólio, fortalecer parcerias comerciais e ocupar plenamente a capacidade instalada, sustentada por uma arquitetura tecnológica desenhada exatamente para essa escala.











